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  • O custo invisível de ser igual

    Distinção é luxo. Publicar um texto implica sempre construir um mundo na imaginação do público, é definir a realidade e quem quer se destacar escreve sempre o que é diferente.

    O primeiro fascínio com a distinção é sempre sentido na primeira pessoa. A epifania que entusiasma no banho, no amanhecer ou mesmo num restaurante de Maputo é sempre uma experiência fantástica. Às vezes é uma estratégia de negócio ou uma solução que resolve teias de problemas.

    As grandes ideias são, na verdade, descobertas que fazemos em nós mesmos embora sejam sobre a academia, os negócios ou outra coisa. Descobrir algo novo é também angustiante. Passado o auge da epifania vem a angústia: “Por que não pensei nisto antes?” “Por que não fiz aquilo quando era mais fácil?”. Na verdade é: por que não me dei ao luxo de ser distinto antes?

    Transmitir uma ideia nova ou construir uma nova realidade para o nosso público com qualidade consiste, muitas vezes, em transferir uma angústia e mexer com o mundo. Num mundo veloz e híper competitivo como o nosso, transferir ao nosso adversário a angústia através da nossa excelência é o jogo. Lançar um bom livro, tecer grandes ideias, mostrar-se distinto é fazer-se ao tabuleiro com maestria.

    O luxo de ser distinto é um patamar que se alcança através daquilo que não é palpável. Um carro de alto acabamento passa pela avenida e chama atenção, uma residência de alto padrão gera admiração, mas a posse de uma obra de arte de grande valor ou o lançamento de um livro verdadeiramente insightful mexe as peças certas do tabuleiro, pois um livro é memória, é status que se percebe por quem já vive ou aspira esse mundo.

    A construção de uma marca pessoal poderosa passa pela distinção e ser igual aos demais é arriscar-se à inexistência. É preciso existir todos os dias e manter-se relevante e, para tal, há que investir em algo que resista ao tempo e à moda.

    O líder investe anos, senão décadas, a construir um império de conquistas e relações. Mas precisa de meses ou dias para cair na inexistência. Este é o custo invisível de ser igual. Como escapar? A resposta é simples: lançar-se ao mundo da distinção. Isto não significa que ao lançar um livro, o autor consolida-se como referência. O livro enquanto atrelado da marca raramente é um produto isolado. Ele funciona como um manifesto ou uma força gravitacional que posiciona o autor no centro de um sistema mais ou manos complexo, através do qual se abre espaço para falar sobre consultoria, posicionamento, investimento ou formação.

  • Por que não usar IA na redacção de artigos

    Publicar um texto é sempre bom, publicar um bom texto é melhor ainda, mas publicar um texto impactante e insightful é fantástico.

    Mas o texto feito é resultado de um processo muitas vezes longo e processo. São várias idas e vindas, palavras que se riscam ou apagam. Quando se escreve para um público imagina-se esse público: quem vai ler, o que vai pensar sobre o texto e sobre o autor.

    São várias inseguranças que surgem como desafios para quem escreve. E neste contexto a inteligência artificial surge como um verdadeiro artifício mágico que em segundos consegue gerar um texto que um autor humano levarias horas ou mesmo dias.

    E é uma solução boa: concordância, coerência, semântica e todas as outras nuances estilísticas se gramaticais serão observadas pelo texto de inteligência artificial. O texto vem completo e pronto. Podemos notar que falta um pouco de perspectiva técnica ou uma pitada de humor, mas isso se resolve com um prompt simples e assim o texto vai se costurando.

    Por vezes ainda levamos meia hora a aperfeiçoar o texto através de prompts  mais ou menos eficazes e funcionais. Mas o grande problema é quando fechamos o nosso texto de IA, abrimos outros publicamos por outros escritores de IA e notamos que, na verdade, escrevemos os mesmos textos.

    O texto gerado por inteligência artificial pode até ser tecnicamente bom, mas não tem espírito, não tem veia, nem sotaque, é um amontoado de palavras. Não são poucas as vezes em que escutamos discursos, mensagens fúnebres ou artigos no LinkedIn com a mesma estrutura, mesmas palavras, mesmos exemplos.

    Parece que a tentação do uso da inteligência artificial na comunicação não se adstringe apenas ao acto de escrever, mas é precisamente o acto e o pensamento por detrás da comunicação que se afectou sobremodo com o uso errático de IA.

    Quando escrevemos e publicamos um texto o foco central é causar um sentimento ou pensamento no leitor, que por seu turno, é humano. Como dissemos mais acima neste artigo, quando escrevemos um texto, pensamos no leitor: o que pensará, o que fará, o que sentirá, etc., e disto não nos devemos perder.

    Escrever é causar, é despertar alguma coisa no outro humano. A inteligência artificial não tem muito sucesso quando o assunto é atingir o outro humano. A inteligência artificial na geração de artigos deve assumir o papel de instrumento porque os prompts não tem alma nem entusiamo, nem paixão. Nas áreas de comunicação de produtos, variando desde a informática ao design, habituámo-nos a expressões como user experience como foco de um produto que se lança ao mercado. É também muito útil e urgente começarmos a pensar e executar reader experience, pois o texto com a nossa assinatura leva o nosso sotaque, os nossos trejeitos e o nosso ADN. É como seremos lembrados.embrados.